quinta-feira, maio 14, 2009

Municípios avançam com projecto de “incineradora” - Tribunal deu razão à AMISM em São Miguel - em São Miguel

Já não há mais lugar para estes caprichos políticos! Lamentável...


A notícia no Açoriano Oriental:

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Até ao final do ano os municípios da ilha de São Miguel vão apresentar um projecto para a construção de uma solução integrada para o tratamento de resíduos na zona do Caldeirão, na Ribeira Grande.
O projecto a apresentar, que compreende a construção de uma estação de triagem (para plástico, vidro, embalagens, entre outros resíduos), uma estação para “verdes” (madeiras) , uma central de valorização (“incineradora”) e dois aterros de suporte (um para reciclagem de resíduos perigosos e outro a funcionar em regime de emergência), tem capacidade para transformar até 120 mil toneladas de resíduos por ano e um custo estimado de 80 milhões de euros.
A opção pela valorização energética está contemplada no Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEGRA)e prende-se com as vantagens que essa tecnologia proporciona em termos de aproveitamento energético, retorno financeiro e ainda cumprimento da legislação ambiental. 
Com essa tecnologia espera-se que acabem os problemas com o tratamento de resíduos tal como aconteceu nas zonas onde se instalaram tecnologias idênticas e que a Madeira constitui exemplo.
Com efeito, se a instalação dessa tecnologia será mais dispendiosa que outras opções, permitirá, por outro lado, a arrecadação de receitas com a venda da energia produzida a partir dos resíduos à rede pública (EDA), a que acrescem as verbas com a venda de cinzas para inertes e de metais para a siderurgia.
Ademais, com um período de vida útil de vinte e cinco anos, a central de valorização energética poderá sofrer actualização tecnológica, o que prolongará a sua actividade.
Segundou apurou o Açoriano Oriental, 70% dos custos de amortização do investimento inicial e de funcionamento serão assegurados com as receitas das vendas de energia, cinzas e metais, sendo o remanescente (30%) suportado por taxas ambientais a aplicar aos munícipes. 
Dos actuais 3 euros /mês dederá transitar-se para uma taxa ambiental mais elevada , um valor que traduzirá não só os custos de amortização e funcionamento da nova tecnologia como também o cumprimento de directivas comunitárias por aplicar e que, portanto, deveriam mas não se reflectem ainda no consumidor final.
Excluídos desse projecto encontram-se um conjunto de resíduos (pneus, pilhas, medicamentos, entre outros) que o Governo Regional concessionou a entidades privadas e que não cabe aos municípios gerir.
Todavia, permanece por resolver a questão central: como pagar a instalação dessa tecnologia que deverá atingir os 80 milhões de euros?
Nesse particular, os municípios da ilha de São Miguel prevêm o aproveitamento de verbas do Fundo de Coesão, algo a ser negociado entre os governos Regional e da República.
É que “per si” as autarquias de São Miguel não têm capacidade financeira para concretizar um projecto dessa natureza objectando, inclusive, que está precisamente em causa a resolução de um grande problema ambiental.
Só para se ter ideia da importância de se resolver o problema dos “lixos” nos Açores e com maior acuidade em São Miguel, basta referir que a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel tem a responsabilidade delegada pelos municípios do tratamento em alta dos resíduos de Ponta Delgada, Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca e Povoação, o que representa uma população servida de 130 mil habitantes (incluindo turistas), ou seja, mais de 50% do total de resíduos produzidos nos Açores. || (com vídeo no ao online)

Sistema conforme legislação ambiental

Para além da reciclagem e quando não existe outra forma de valorização possível, os resíduos podem ainda ser valorizados energeticamente. 
Neste caso, sofrem um processo de incineração em condições controladas e em instalações próprias – incineradoras - sendo produzida energia que pode ser utilizada pela rede pública. A tecnologia utilizada na construção deste tipo de instalações permite que sejam asseguradas emissões em conformidade com a legislação ambiental. ||

Tribunal deu razão à AMISM

A Associação de Municípios da Ilha de São Miguel venceu em Setembro de 2008, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada, a acção interposta contra a Região Autónoma, na qual pedia a anulação da Declaração de Impacte Ambiental, emitida no âmbito de procedimento de avaliação de impacte ambiental, que impedia aquela associação de ampliar o sistema de tratamento de resíduos sólidos em São Miguel e avançar para a construção duma central de valorização energética.
 O Tribunal Administrativo e Fiscal anulou a Declaração de Impacte Ambiental assinada por Hélder Silva, à data Secretário Regional do Ambiente, concedendo provimento aos argumentos da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel que invocou a violação do seu direito de audiência prévia, bem como a falta de fundamentação de facto e de Direito da Declaração Ambiental emitida.
 O Tribunal Administrativo e Fiscal considerou que “em nenhum momento foi solicitado” que a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel “se pronunciasse sobre a sua pretensão em geral, em conexão com os elementos entretanto carreados para o processo” e que a decisão anulada sofria “duma completa ausência de fundamentação de direito das conclusões nela insertas”.
O contencioso jurídico teve um “custo” que se saldou num atraso de cerca de cinco anos na implementação da central de valorização energética e, portanto, de uma solução efectiva para a gestão dos lixos na maior ilha açoriana.||
pedro nunes lagarto
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sexta-feira, abril 24, 2009

Mais uma antena, mais desertificação, mais concentração

Então as ilhas das Flores e Santa Maria, sobre as quais o Governo Regional dos Açores declara lutar titanicamente no sentido de criar condições para o aumento de postos de trabalho, servem para instalação de equipamentos mas já não servem para a instalação do respectivo centro de controlo?
Se o referido centro de controlo pode estar em São Miguel, quer dizer que não tem de estar na ilha onde estão os equipamentos. Poderá estar na Graciosa, em São Jorge, no Faial, no Pico... ou, mais justamente, numa das ilhas que alberga os equipamentos.
Qual a base estratégica desta medida?
Porquê em São Miguel? Em nome da coesão entre São Miguel e a Madeira?
Notícia:

quarta-feira, abril 22, 2009

Impresizões (e os erros também são prEpositados)

Vem este a propósito da notícia "Novos projectos no âmbito do Acordo da Base das Lajes" do AO de ontem em que, no último parágrafo, repete a síntese histórica repetida muitas vezes pelos jornais deste país. Diz: "A Base Aérea das Lajes foi criada em 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, e apesar da neutralidade de Portugal neste conflito, em 1943, ao abrigo do Tratado de Aliança com a Grã-Bretanha, a Força Aérea Britânica fez uso desta infra-estrutura. Ainda no decorrer da 2ª Guerra Mundial, a Força Aérea Americana instalou-se na Base, onde ainda permanece, ao abrigo do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e Estados Unidos."
Estaria correcto se fosse escrito:
"A Base Aérea das Lajes foi criada em 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, e apesar da neutralidade de Portugal neste conflito, em 1943, ao abrigo do Tratado de Aliança com a Grã-Bretanha, a Força Aérea Britânica fez uso desta infra-estrutura", com o apoio da Norte-Americana. Ainda durante a 2ª Guerra Mundial, Portugal e os Estados Unidos assinaram o primeiro acordo luso-americano da história com o objectivo destes construírem e explorarem uma base aérea na Ilha de Santa Maria. Ao terminar o conflito, esta infra-estrutura passou a portuguesa e civil atirando as forças militares americanas para as Lajes tendo sido assinado um novo acordo entre Portugal e os Estados Unidos com vista à cedência de facilidades nos Açores já depois do conflito, em Fevereiro de 1948.
Fontes:

terça-feira, abril 07, 2009

Contributo para a Análise da Questão do Aeroporto

[excertos da] Comunicação apresentada por António Monteiro no Evento “Pensar Santa Maria”, organizado pelo Núcleo da Juventude Socialista de Santa Maria, no Hotel Colombo, no dia 21 de Março de 2009.

[Documento completo em http://docs.google.com/Doc?id=ddd62n4n_318c2rx6fg ]

Quero começar por agradecer ao enérgico Presidente do núcleo de Santa Maria da JS Açores e à sua equipa o convite para participar neste evento. O Valério desafiou-me a vir aqui abordar a questão do aeroporto. Nas palavras dele: “sem formalismos, descomplexado, sem stress; no espírito da JS.”
Aceitei por ser um evento organizado pela Juventude Socialista de Santa Maria e por entender que esta geração em que me incluo; esta geração que tomou consciência política depois do Choque Petrolífero de 1973 ou, se quiserem, depois do 25 de Abril, está, não farta, mas exausta e mesmo, revoltada com a forma como o assunto do aeroporto tem sido abordado.
É uma geração que comunga do sentimento de mudança desta Nova Era em que uma nova geração de valores se afirma. Valores como Ambiente, Tolerância e Solidariedade. Acima de tudo, valores como o respeito, diria mesmo, veneração pelo nosso território que ocupamos e pelos recursos de que dispomos e que não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar ou subvalorizar.

A abordagem do assunto
É comum, quando tentamos abordar este assunto do aeroporto que tenhamos respostas como: “O que é que tu queres? Queres que o aeroporto volte aos tempos áureos e que tudo passe por aqui?”
Por outro lado, ocorrem notícias tipo, “agora é que é!”, “vamos ter aquilo e aqueloutro e agora é que o aeroporto vai voltar a ser como era!”
Outros afirmam que “só aceitamos a entrega das infra-estruturas não aeroportuárias quando estiverem as estradas arranjadas, a rede de água renovada, o problema dos esgotos resolvido”. Ou seja, quando estiver como dizem que o aeroporto era.
Outros ainda, como aconteceu aquando dos anúncios e inaugurações da ESA, dizendo que “agora sim, Santa Maria não vai mais ficar dependente do aeroporto” e depois vão oferecer instalações à Edisoft na Lagoa. (compreendo: em nome da coesão entre Ponta Delgada e Lagoa).

Ao ouvires uma destas frases, podes fazer um sorriso amarelo e desconversar. Esta pessoa, ou mesmo, esta instituição, não está interessada em discutir abertamente a questão. Não está interessada em resolver a questão do aeroporto. Vai lá saber-se por que razão ou por que paixão!
É que seja qual for a abordagem será sempre uma visão apaixonada - de demasiada atracção ou demasiada aversão. E é isso que creio que hoje não podemos repetir. Olhar a Questão do Aeroporto com demasiada paixão.

Assim, proponho-me a fazer aqui uma pequena explanação daquilo que acho que é a situação actual do aeroporto e zona envolvente, numa primeira parte, e, numa segunda parte, olhar alguns dados sobre o impacto das questões do aeroporto na sociedade mariense, através dos actos eleitorais e de dados gerais sobre o impacto económico.
Quero alertar, que todos os dados aqui apresentados são públicos, acessíveis online e também, como todos sabemos, que o assunto do aeroporto é demasiado vasto, pelo que aqui abordarei apenas alguns tópicos, sem procurar ser exaustivo, nem, muito menos, apresentar soluções milagrosas.

(...)

Os marienses hoje, não querem mais olhar para o aeroporto daquela forma apaixonada do passado. Os marienses hoje olham para a zona habitacional envolvente ao aeroporto de uma forma objectiva. Em busca de soluções e não à procura dos problemas. Não resisto em partilhar convosco a imagem que muitas vezes tenho quando penso nesta questão: a de um homem a quem lhe saiu a lotaria e agora volta a casa sem nada e mal tratado. Santa Maria - a sua mãe - vira-lhe as costas.
Nós temos perdido demasiado tempo com puxa para cá e para lá. Mas temos de esclarecer o seguinte:
O Município de Vila do Porto não tem capacidade financeira nem técnica para assumir todas as responsabilidades na zona do aeroporto. Nem é da sua responsabilidade. Os terrenos pertencem ao Governo da República e, como tal, é ao Governo Regional, seu interlocutor, que compete sentar-se à mesa com o Governo da República e resolver a questão.
Agora uma coisa é certa: o Município de Vila do Porto não tem capacidade técnica nem financeira para assumir este encargo, mas a sua capacidade política será, em grande parte, aferida pela forma como consegue colocar este assunto em cima da mesa e “obrigar” quem tem responsabilidade sobre aqueles terrenos e infra-estruturas a executarem as soluções.
E falo em executar soluções porque não tem de ser, necessariamente e mais uma vez, os Governos da República e dos Açores a vir cá apresentar as soluções. Nós próprios, os marienses, temos de fazer parte activa das soluções sob pena destas serem desajustadas. E há muita gente disposta a fazer parte da solução para aquele espaço.

(...)
Conclusão
A indústria aeronáutica em Santa Maria é um sector estratégico para quem quer seriamente pensar em coesão económica dos Açores, entendendo coesão como um caminho de convergência em relação aos níveis médios de desenvolvimento dos Açores e destes com a média europeia. Claro que, se coesão é equilibrar os índices de desenvolvimento entre as chamadas ilhas da coesão – Santa Maria, São Jorge, Graciosa, Flores e Corvo, então retire-se já o aeroporto!
Se o objectivo é puxar Santa Maria para cima, ficando ao nível do Faial e do Pico então estamos cá para trabalhar. Se for para nos mantermos nos 6000 habitantes, então a solução para os jovens marienses será a que muitos já seguiram. Sair.
O Horizonte de Santa Maria não pode ser uma ilha da coesão à mercê de esmolas. Santa Maria tem 97km2. Se, por exemplo, tivesse a densidade populacional média dos Açores (105,1 hab. /km2) teria 10.194 habitantes. Se tivesse a densidade média de São Miguel (179,0 hab. /km2), teria 17.363 habitantes.
Uma ilha com as nossas características, a 20 minutos da maior economia dos Açores, tem a obrigação de lutar por este objectivo (ficar acima dos 10 mil habitantes). Só desta forma poderemos viabilizar economicamente esta ilha e deixar de ser um fardo para o Governo Regional. Claro está. Não é com o aeroporto que chegamos lá. Mas sem ele é que não chegamos lá, de certeza.
Quero mais uma vez agradecer ao Valério e à sua equipe.
Como disse no início, não há soluções milagrosas para o aeroporto ou para o futuro de Santa Maria. Isto passará, imperativamente, por muita discussão e uma união permanentemente responsável, crítica e exigente entre os marienses.
Muito obrigado.



Referências Digitais (Visitadas a 20 de Março de 2009)
Associação Nacional de Municípios
TRANSFERÊNCIAS PARA OS MUNICÍPIOS - PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS NOS IMPOSTOS DO ESTADO - 2009

ACL – Aerogare Civil das Lajes
Aerogare Civil das Lajes

ANA – Aeroportos de Portugal, SA
Estatísticas 2005 – 2008

Comissão Nacional de Eleições
Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores em 2008

INE – Instituto Nacional de Estatística
Estatística dos Transportes 2001 – págs. 157-170
Estatística dos Transportes 2002 – págs. 153-164
Estatística dos Transportes 2003 – págs. 145-156
Estatística dos Transportes 2004 – págs. 129-140
Estatística dos Transportes 2005 – págs. 126-140
Estatística dos Transportes 2006 – págs. 125-138
Estatística dos Transportes 2007 – págs. 125-138
Movimento de passageiros nos aeroportos, em 2008

Serviço Regional de Estatística dos Açores
Anúario Estatístico Açores 2007
Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores
Resultados Eleitorais